Apresentem-se!
Horas, dias, meses, anos estudando. Correções, melhorias, ajustes, entendimento. O processo de aprimoração de um peça muitas vezes parece não ter fim. Independente de tudo, o próprio caminhar do aprimoramento é prazeroso. Sentir os obstáculos sendo vencidos, alcançando qualidades até então inimagináveis. Essa é um pouco da rotina de um estudande de violão. Mas, quando chegamos em um resultado satisfatório, acreditamos estar prontos, certo? Errado.
Neste post vou retratar minha opinião sobre uma questão um pouco esquecida no ensino do violão erudito: a prática da apresentação.
Ao assitir um bom recital, achamos que a pessoa que está tocando chegou naquela qualidade musical através de um forte estudo da peça. Sim, isso é verdade, mas não apenas isso. Acredito que muitos já tentaram tocar para alguem uma peça que estava tocando tão bem sozinho no quarto mas, ao tocar para a pessoa, a peça não saiu da forma como desejava e também como de costume saía quando tocada sozinho. Por que será que isso acontece? Nervosismo, lógico. Um pouco de medo do erro, um pouco do receio do olho do outro.. sim, pode ser. Os fatores são vários, mas pergunto a vcs: como resolver esta questão? Simples, apresentem-se! Independente do nível que estejam, do repertório, do tempo de violão, apresentem-se!
Existe uma coisa, que todos nós temos, chamada estrutura emocional. Sempre que somos levados a uma situação estranha, diferente, nova, tendemos a sentir um desconforto que nos faz, muitas vezes, perder força, sentidos, organização das idéias, etc. Isso é um fator inerente ao ser humano. Inevitável. Alguns sentem mais que os outros, mas poucas as pessoas não sentem algum tipo destas sensações ao fazer alguma coisa em público pela primeira vez. Na verdade, esses sentimentos são frutos de uma “coisa” na cabeça chamada estrutura emocional (ou melhor, a não existência de uma). Essas estruturas são criadas o tempo todo durante nossa existência. Sempre que nos colocamos em uma nova situação, uma descarga energética é gerada devido ao novo estímulo e, para dar vazão, precisamos de uma via mental (um pedaço da estrutura), para liberarmos essa energia. Quando esta via ainda não está criada, os sentimentos descritos acima são fortíssimos, muitas vezes paralizando a pessoa. Mas o importante disso é que são esses sentimentos que demonstram que esta sendo construida uma nova via para descarga da energia. Repetindo-se a situação, maior fica este caminho de descarga. O nome disso é processo. Em suma, o processo (na sua maioria das vezes doloroso) representa a construção de uma via da nossa estrutura emocional. Em um determinado momento, a via de descarga estará totalmente criada. Isso não significa que os sentimentos sumirão, mas que certamente a paralização e outros aspectos prejudicias serão controlados.
A apresentação do violão segue a esta regra. Não só a de violão, mas diversas outras coisas na nossa vida. Se estudássemos anos a fio, chegando a uma qualidade ótima, não seríamos bem sucedidos ao nos apresentarmos para alguem, pois não teríamos trabalhado esta estrutura emocional que nos dará tranquilidade e suporte emocional necessário para tal feito. Infelizmente não tem jeito, para tocar bem para um público, devemos PRATICAR a apresentação. Quanto mais cedo isso for praticado, mais rápido teremos uma boa estrutura emocional para suportar futuras apresentações. Um trabalho de TREINO, PRÁTICA. Como o estudo de uma escala, de uma música, de rítmo, etc. Agora pergunto: vocês tem praticado a apresentação?
Um tema de tanta importância como este, muitas vezes, é esquecido pelas instituições de ensino. Não estou dizendo que não exista, mas sim que é pouquíssimo explorado. Acho que deveriam ter recitais de alunos mensalmente. Cada professor deveria trabalhar a peça que o aluno vai tocar no mês. No dia da apresentação, ressaltar que o que está valendo ali é a PRÁTICA da apresentação. E esta independe da qualidade em que a peça estiver. Apresentou, foi bem sucedido pois, um pedacinho da via da estrutura emocional foi criada.
Para quem for de Sampa, existe o Projeto Primeiro Concerto (http://primeiroconcerto.blogspot.com/) que tem nesta prática o alicerce principal da sua existência. Disponibilizar um ambiente de TREINAMENTO de apresentação. Pouco importa em que nível se encontra o aluno, ou mesmo a qualidade da sua apresentação, mas sim o quanto o aluno se superou para subir no palco e tocar.
Em resumo: não adianta apenas estudar. Tem que se apresentar. Se apresentar bem requer treino e prática, da mesma forma que tocar bem. Para treinar a apresentação deve-se, simplesmente, apresentar-se.
Grande Abraço a todos!
Augusto
Neste post vou retratar minha opinião sobre uma questão um pouco esquecida no ensino do violão erudito: a prática da apresentação.
Ao assitir um bom recital, achamos que a pessoa que está tocando chegou naquela qualidade musical através de um forte estudo da peça. Sim, isso é verdade, mas não apenas isso. Acredito que muitos já tentaram tocar para alguem uma peça que estava tocando tão bem sozinho no quarto mas, ao tocar para a pessoa, a peça não saiu da forma como desejava e também como de costume saía quando tocada sozinho. Por que será que isso acontece? Nervosismo, lógico. Um pouco de medo do erro, um pouco do receio do olho do outro.. sim, pode ser. Os fatores são vários, mas pergunto a vcs: como resolver esta questão? Simples, apresentem-se! Independente do nível que estejam, do repertório, do tempo de violão, apresentem-se!
Existe uma coisa, que todos nós temos, chamada estrutura emocional. Sempre que somos levados a uma situação estranha, diferente, nova, tendemos a sentir um desconforto que nos faz, muitas vezes, perder força, sentidos, organização das idéias, etc. Isso é um fator inerente ao ser humano. Inevitável. Alguns sentem mais que os outros, mas poucas as pessoas não sentem algum tipo destas sensações ao fazer alguma coisa em público pela primeira vez. Na verdade, esses sentimentos são frutos de uma “coisa” na cabeça chamada estrutura emocional (ou melhor, a não existência de uma). Essas estruturas são criadas o tempo todo durante nossa existência. Sempre que nos colocamos em uma nova situação, uma descarga energética é gerada devido ao novo estímulo e, para dar vazão, precisamos de uma via mental (um pedaço da estrutura), para liberarmos essa energia. Quando esta via ainda não está criada, os sentimentos descritos acima são fortíssimos, muitas vezes paralizando a pessoa. Mas o importante disso é que são esses sentimentos que demonstram que esta sendo construida uma nova via para descarga da energia. Repetindo-se a situação, maior fica este caminho de descarga. O nome disso é processo. Em suma, o processo (na sua maioria das vezes doloroso) representa a construção de uma via da nossa estrutura emocional. Em um determinado momento, a via de descarga estará totalmente criada. Isso não significa que os sentimentos sumirão, mas que certamente a paralização e outros aspectos prejudicias serão controlados.
A apresentação do violão segue a esta regra. Não só a de violão, mas diversas outras coisas na nossa vida. Se estudássemos anos a fio, chegando a uma qualidade ótima, não seríamos bem sucedidos ao nos apresentarmos para alguem, pois não teríamos trabalhado esta estrutura emocional que nos dará tranquilidade e suporte emocional necessário para tal feito. Infelizmente não tem jeito, para tocar bem para um público, devemos PRATICAR a apresentação. Quanto mais cedo isso for praticado, mais rápido teremos uma boa estrutura emocional para suportar futuras apresentações. Um trabalho de TREINO, PRÁTICA. Como o estudo de uma escala, de uma música, de rítmo, etc. Agora pergunto: vocês tem praticado a apresentação?
Um tema de tanta importância como este, muitas vezes, é esquecido pelas instituições de ensino. Não estou dizendo que não exista, mas sim que é pouquíssimo explorado. Acho que deveriam ter recitais de alunos mensalmente. Cada professor deveria trabalhar a peça que o aluno vai tocar no mês. No dia da apresentação, ressaltar que o que está valendo ali é a PRÁTICA da apresentação. E esta independe da qualidade em que a peça estiver. Apresentou, foi bem sucedido pois, um pedacinho da via da estrutura emocional foi criada.
Para quem for de Sampa, existe o Projeto Primeiro Concerto (http://primeiroconcerto.blogspot.com/) que tem nesta prática o alicerce principal da sua existência. Disponibilizar um ambiente de TREINAMENTO de apresentação. Pouco importa em que nível se encontra o aluno, ou mesmo a qualidade da sua apresentação, mas sim o quanto o aluno se superou para subir no palco e tocar.
Em resumo: não adianta apenas estudar. Tem que se apresentar. Se apresentar bem requer treino e prática, da mesma forma que tocar bem. Para treinar a apresentação deve-se, simplesmente, apresentar-se.
Grande Abraço a todos!
Augusto